As Batidas

Moro no Sonnenhof há quase quatro anos.

Quando me mudei para cá, achei que finalmente tinha encontrado um lugar tranquilo.

O prédio era antigo, mas bonito.

Os corredores de madeira rangiam em alguns pontos, as escadas pareciam ter saído de outra época e as janelas antigas deixavam a luz do fim da tarde entrar de uma forma que tornava tudo acolhedor.

Nos primeiros meses, não aconteceu absolutamente nada.

E talvez seja justamente isso que torne tudo mais difícil de explicar.

Porque o que acontece hoje não começou de forma assustadora.

Começou devagar.

Primeiro vieram as batidas.

Sempre às 20h40.

Nem um minuto antes.

Nem um minuto depois.

Três batidas lentas na porta de entrada do apartamento.

Toc.

Toc.

Toc.

Na primeira vez, imaginei que algum morador tivesse errado o apartamento.

Levantei do sofá e fui abrir.

Não havia ninguém.

Olhei para os dois lados do corredor.

Vazio.

Nenhum vizinho.

Nenhuma porta se fechando.

Nenhum som.

Voltei para dentro sem pensar muito no assunto.

Mas aconteceu novamente.

No dia seguinte.

E no outro.

Sempre às 20h40.

Sempre três batidas.

Sempre da mesma forma.

Toc.

Toc.

Toc.

Passei a prestar atenção no relógio.

Era perturbador.

Podia estar cozinhando.

Lendo.

Assistindo televisão.

Quando o relógio marcava 20h40, as batidas vinham.

Como se alguém estivesse seguindo um ritual.

Durante semanas abri a porta imediatamente.

Nunca encontrei ninguém.

O corredor permanecia vazio.

Sempre vazio.

Até a noite em que resolvi olhar pelo olho mágico antes de abrir.

As batidas começaram.

Toc.

Toc.

Toc.

Aproximei o rosto da porta.

Não havia ninguém.

Mas, enquanto observava o corredor deserto, ouvi outra batida.

Mais forte.

Logo diante de mim.

Como se alguém estivesse do lado de fora.

E, ao mesmo tempo, não estivesse.

Naquela noite não abri.

Foi a primeira vez que senti medo.

Depois disso, as batidas continuaram.

Passei a ignorá-las.

Ou pelo menos tentava.

Mas outras coisas começaram a acontecer.

Objetos apareciam em lugares onde eu não os havia deixado.

Luzes acendiam sozinhas.

Portas internas que eu tinha certeza de ter fechado apareciam abertas.

Ainda assim, nada me assustava tanto quanto as batidas.

Porque elas pareciam direcionadas a mim.

Como se alguém estivesse tentando chamar minha atenção.

Ou esperando que eu respondesse.

Alguns moradores também pareciam desconfortáveis quando o assunto surgia.

Mas ninguém gostava de conversar sobre isso.

Uma senhora que mora aqui há décadas apenas me disse:

— Nunca abra a porta depois das batidas.

Perguntei por quê.

Ela ficou em silêncio.

E mudou de assunto.

Meses depois aconteceu algo que nunca consegui esquecer.

Eu estava organizando a cozinha quando ouvi alguém sussurrar meu nome.

Bem atrás de mim.

Virei imediatamente.

Não havia ninguém.

O apartamento estava vazio.

Mesmo assim, eu tinha certeza de ter ouvido.

Naquela noite, exatamente às 20h40, as batidas voltaram.

Toc.

Toc.

Toc.

Mais lentas.

Mais pesadas.

Como se quem estivesse do outro lado soubesse que eu estava escutando.

O pior aconteceu há poucas semanas.

Existe um apartamento vazio no meu andar.

Pelo menos é o que todos dizem.

Mesmo assim, em algumas noites, uma luz aparece atrás das cortinas.

Uma luz amarelada.

Fraca.

Como a luz de um abajur antigo.

Decidi fotografar.

Queria provar para mim mesma que aquilo existia.

A foto ficou perfeita.

Mostrava claramente a janela iluminada.

Mas quando ampliei a imagem percebi algo que não tinha visto antes.

Havia uma pessoa parada atrás da cortina.

Imóvel.

Observando diretamente na direção do meu apartamento.

Apaguei a foto imediatamente.

Até hoje me arrependo.

Porque, desde aquela noite, as batidas ficaram mais frequentes.

Às vezes acontecem todos os dias.

Às vezes desaparecem por uma semana inteira.

Mas sempre voltam.

Sempre às 20h40.

Ontem aconteceu algo diferente.

Depois das três batidas habituais, ouvi uma quarta.

Toc.

Mais forte.

Mais lenta.

Como se alguém tivesse perdido a paciência.

Fiquei imóvel.

Sem respirar.

Sem coragem de me aproximar da porta.

Foi então que ouvi uma voz.

Baixa.

Quase um sussurro.

Mas clara o suficiente para que eu entendesse.

— Eu sei que você está aí.

Meu sangue gelou.

Não abri.

Não vou abrir.

Mas, pela primeira vez desde que me mudei para o Sonnenhof, não tenho certeza de que isso será suficiente.

Porque às vezes tenho a sensação de que aquilo que bate na minha porta já não está do lado de fora.

Está dentro do prédio.

Percorrendo os corredores.

Procurando.

Esperando.

E, mais cedo ou mais tarde, alguém vai atender.

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